"... deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher)..." (A insustentável leveza do ser - Milan Kundera)

Postagens mais visitadas

Mostrando postagens com marcador Poesias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesias. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de março de 2012

Rio de Janeiro, Carnaval, Iphan, Capanema, Portinari e Vinícius de Moraes

       Num Café com vista aos azulejos de Portinari no Palácio Capanema, onde esta localizado o arquivo do Iphan, encontrei um poema do Vinícius que sintetiza essas duas semanas.

Azul e Branco

(Vinícius de Moraes)


Concha e Cavalo-Marinho


I
Massas geométricas
Em pautas de música
Plástica e silêncio
Do espaço criado.


Concha e cavalo-marinho.

O mar vos deu em corola
O céu vos imantou
Mas a luz refez o equilíbrio.

Concha e cavalo-marinho.

Vênus anadiômena
Multípede e alada
Os seios azuis
Dando leite à tarde
Viu-vos Eupalinos
No espelho convexo
Da gota que o orvalho
Escorreu da noite
Nos lábios da aurora.

Concha e cavalo-marinho.

Pálpebras cerradas
Ao poder violeta
Sombras projetadas
Em mansuetude
Sublime colóquio
Da forma com a eternidade.

Concha e cavalo-marinho.

II
Na verde espessura
Do fundo do mar
Nasce a arquitetura.

Da cal das conchas
Do sumo das algas
Da vida dos polvos
Sobre tentáculos
Do amor dos pólipos
Que estratifica abóbadas
Da ávida mucosa
Das rubras anêmonas
Que argamassa peixes
Da salgada célula
De estranha substância
Que dá peso ao mar.

Concha e cavalo-marinho.

Concha e cavalo-marinho:
Os ágeis sinuosos
Que o raio de luz
Cortando transforma
Em claves de sol
E o amor do infinito
Retifica em hastes
Antenas paralelas
Propícias à eterna
Incursão da música.

Concha e cavalo-marinho.

III
Azul... Azul...

Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco

Concha...
e cavalo-marinho.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Por do Sol no Mondego



Estavas, linda lnês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saüdosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.

Do teu Príncipe ali te respondiam
As lembranças que na alma lhe moravam,
Que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus fermosos se apartavam;
De noite, em doces sonhos que mentiam,
De dia, em pensamentos que voavam;
E quanto, enfim, cuidava e quanto via

Eram tudo memórias de alegria
(Luis Vaz de Camões )


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Num Samba Curto

Meu samba andou parado
Até você aparecer
Mudando tudo
Lançando por terra o escudo
Do meu coração
Em repouso
Ontem uma rocha fria
Hoje assim exposto
Deixando entrar sem medo a vida
Aquilo que eu não via

Só agora eu reparei
Que não vi seu rosto
E que você partiu
Sem deixar seu nome
Só me resta seguir
Rumo ao futuro
Certo de meu coração
Mais puro

Quem quiser que pense um pouco
Eu não posso explicar meus encontros
Ninguém pode explicar a vida
Num samba curto

***

O texto não é meu, é de Paulinho da Viola. Postei-o aqui pois, de alguma forma,  me identifiquei com ele.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

As cores do Outono

Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!



Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,




Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,


E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.


Miguel Torga







Outono vem em vulvas claridades...
Vamos os dois esp'rá-lo de mãos dadas:
Tu, desfolhando as rosas das estradas,
E eu, escutando o choro das saudades...




Outono, vem em doces suavidades...
E a acender fogueiras apagadas
Andam almas no céu, ajoelhadas...
E a terra reza prece das Trindades.



Choram no bosque os musgos e os fetos.Vogam nos lagos pálidos e quietos,
Como gôndolas doiro, as borboletas














Meu amor! Meu amor!Outono vem... Beija os meus olhos roxos, beija-os bem!
Desfolha essas primeiras violetas.


Florbela Espanca
















terça-feira, 10 de agosto de 2010

Quem sou eu?

Quem sou eu?

Não sei,
Sei que sou uma pessoa que ama,
Ama a Vida, os outros, o mundo.
Mas amo de formas diferentes das convencionais,
amo a pessoa, a alma, o espírito e a AMA a vida do outro.

Sou alguém que fala o que pensa, mas penso muitas vezes antes de falar, por isso muitas vezes sou tachado de maluco, e por isso, nem sempre sou compreendido, e nem sequer escutado.

Sou uma pessoa que treme de indignação perante as desigualdades, e às injustiças. Sou capaz de brigar, até mesmo, por causa de uma conta de bar que veio errada, e que o dono não quis consertar.

Sou alguém que briga pela justiça, pela LEALDADE, pelo respeito e pela amizade.
Sou um cara que acima de tudo AMA a vida, amo meus amigos, Amo até meus inimigos, pois sem eles, nossos obstáculos, seríamos sempre os mesmos.

Sou uma pessoa que por ter certeza de minhas convicções, sou capaz de dar minha vida e minha liberdade em troca daquilo que acredito e das pessoas que amo.

Mas na verdade quem sou eu?

Um LOUCO, um MALUCO ou, como muitos dizem, um intelectual?

Quem me dera ser um louco, pois então seria privilegiado, não viveria neste mundo mesquinho e egoísta, não sofreria por amor e nem faria ninguém sofrer. Viveria num mundo superior, num mundo além das idéias além da própria razão, e em hipótese alguma desejaria viver de forma racional.

Se MAULCO fosse, teria coragem de largar tudo e viver a vida na estrada, não se importaria com passado e muito menos com o futuro. Mas se maluco fosse, teria que deixar de lado as pessoas que amo, minhas convicções e meus ideais.

De todos o que menos eu sou é um intelectual, pois eles se acham na capacidade de classificar, julgar e de administrar o mundo ditando suas regras e teorias como se elas fossem vontade geral. Na verdade, chego perto de um pseudo-intelectual, pois sei das minhas limitações e não tento me mostrar superior a ninguém. 
Mas mesmo assim não sei quem sou!!!!

Quem sou eu então?

Um ROMANTICO? um INCOMPREENDIDO.........

Na verdade, talvez eu não seja nada nem ninguém, mas tenho a quase certeza de que posso ser o contrário de tudo aquilo que você pensa de mim......


Ezequiel Barel Filho

sábado, 7 de agosto de 2010

Aquilo que lhe cabe


Versos Íntimos


Vês! Ninguém assistirá* ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Será* tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


Augusto dos Anjos



*Os tempos verbais foram modificados por mim. O original é no passado